A vida é composta de ciclos, que tal como os livros tem um prefácio, um desenvolvimento e um epílogo.Nunca cheguei a escrever o prefácio dos Rascunhos da Lua, que nasceu em Dezembro de 2005, duma imensa necessidade de encontrar respostas para toda uma série de perguntas que me assolavam na época. Aquelas interrogações, umas típicas outras talvez não, que todos nós temos quando vivemos momentos agitados das nossas vidas, querendo entender desesperadamente os porquês.
Na época a minha esperança era que através do que escrevia chegassem até mim partilhas de outras pessoas idênticas ou diferentes, para eu perceber se as minhas emoções faziam ou não sentido. Existia, também, um outro motivo... um amor que eu sentia que não me apreciava, e o blog foi uma espécie de tentativa de mostrar um lado de mim que gostaria de ver apreciado. Foi um gesto infantil de chamar a atenção, que não obteve, na época, o efeito pretendido, bem pelo contrário... serviu durante bastante tempo para ser algo mais a criticar na minha pessoa.
Todos nós percorremos caminhos nem sempre fácies. E, o meu tem sido longo, mas após percorrer caminhos bem tortuosos, consegui chegar a um vale tranquilo, onde me pude sentar em segurança e perceber, de uma vez por todas, que a vida não se fez para perceber, mas sim para se sentir, aprender e viver da melhor maneira possível... pois, a nossa compreensão do universo está muito além das nossas capacidades como habitante do mesmo.
Todos nós ambicionamos ter uma panóplia de situações nas nossas vidas, como um grande amor, uma família linda, tranquilidade financeira e aquele sentimento agradável e constante de felicidade; mas, muitos de nós não percebemos que temos tudo isso até o perdermos. Muitos de nós ainda não entendeu que a vida é uma bênção que nos é dada diariamente e que nos compete individualmente vivê-la da melhor forma possível, para que isso se reflicta no colectivo. Encher o coração de bons sentimentos é a melhor arma que temos para combater o lado negativo que enche o mundo.
Durante anos vivi zangada com o mundo sem perceber que estava nesse estado. E, só quando tudo colapsou e eu fui obrigada a parar para enfrentar, eu pude ver tudo à minha volta, do passado e do presente, com uma nitidez assustadora. Com a tomada de consciência, veio também a dor e toda uma série de emoções devastadoras. Lamber feridas antigas não vale a pena. O que vale a pena é arrancar as crostas, limpar o pûs e aplicar o tratamento certo... o tempo está a encarregar-se de fazer o resto. Sei que existem feridas que nunca sararão completamente, mas tenho a plena consciência que não colho nada que não tenha semeado.
Ao longo destes, quase, quatro anos de bloguista, cruzaram-se comigo pessoas extraordinárias, que entraram e saíram da minha vida deixando a mensagem que eu precisava no momento... porque a vida é assim mesmo. As pessoas entram e saiem das nossas vidas... umas demoram mais tempo do que outras, tudo depende da sua missão nas nossas vidas, e vice-versa, pois nunca nada é acaso. No entanto, nas nossas vidas, também, existem pessoas que permanecem para sempre. Os nossos eternos companheiros de viagem. A todos os que entraram e saíram da minha vida, o meu muito obrigada, pois a vossa presença foi preciosa para mim, independentemente da vossa postura para comigo. Aos que permanecem, espero saber sempre como vos fazer sentir apreciados no convívio que mantêm comigo.
E, agora que o ciclo Rascunhos da Lua chegou ao fim aqui, pois graças a este projecto outros ganharam vida, quero despedir-me de todos quantos me acompanharam, com os seus comentários e emails, com palavras amigas e de incentivo. Quero, também, agradecer a todos quanto me plagiaram e/ou citaram, pois esses gestos mostraram-me o quanto eu consegui tocar corações e almas, algo muito importante no meu caminho.
Os Rascunhos da Lua ficarão na net como a ‘message in a bottle’... porque a vida é cheia de mensagens subliminares que podemos ter, ou não, a capacidade para as captar.












